Crimson Moon é um RPG de ação com ambientação gótica, combate inspirado em Soulslike, progressão roguelite e suporte para partidas cooperativas entre dois jogadores. Desenvolvido pela ProbablyMonsters, o jogo coloca o jogador no papel de um Nephilim, uma criatura híbrida de humano e anjo enviada para recuperar a cidade amaldiçoada de Gildenarch.
Lançado em 1º de setembro de 2026, o título está disponível para PC, PlayStation 5 e Xbox Series X|S. A proposta é simples: entrar na cidade, enfrentar criaturas demoníacas, encontrar equipamentos, criar combinações de habilidades e tentar avançar cada vez mais em uma campanha construída ao redor de “caçadas” e confrontos contra chefes.
O problema é que Crimson Moon chegou ao mercado com uma série de falhas técnicas e decisões de design que dividiram a comunidade. O resultado é um jogo com uma base bastante promissora, mas que ainda parece estar alguns passos distante do acabamento esperado para um lançamento completo.

Uma fantasia gótica com identidade visual forte
A história de Crimson Moon se passa em Gildenarch, uma cidade dominada por forças infernais, anjos corrompidos, mortos-vivos e criaturas ligadas a antigos deuses. O protagonista pertence à Ordem da Lua Carmesim e precisa combater o avanço da Legião Infernal enquanto tenta recuperar o território perdido.
Embora a narrativa não seja o elemento mais elaborado da experiência, a ambientação consegue criar uma identidade própria. A direção artística aposta em igrejas decadentes, fortalezas destruídas, sangue, fogo e criaturas de aparência grotesca. A atmosfera de fantasia sombria combina com a proposta de combates violentos e incursões perigosas.

A apresentação visual foi um dos aspectos mais elogiados nas primeiras impressões. Mesmo sem alcançar o nível de produção de grandes RPGs AAA, Crimson Moon apresenta cenários detalhados, efeitos de iluminação competentes e uma trilha sonora que contribui para o clima de guerra religiosa e horror fantástico.
Por outro lado, a história frequentemente fica em segundo plano. O enredo funciona mais como uma justificativa para levar o jogador de uma missão a outra do que como uma narrativa capaz de sustentar grandes reviravoltas. Personagens e conflitos poderiam receber mais desenvolvimento, especialmente porque o universo apresentado possui elementos suficientes para uma campanha mais marcante.
Combate acessível, mas nem sempre preciso
O combate é o principal pilar de Crimson Moon. O sistema combina ataques leves, golpes pesados, esquivas, bloqueios, habilidades especiais e diferentes tipos de armas. A influência de jogos Soulslike é evidente, mas Crimson Moon tenta oferecer uma experiência mais direta e menos punitiva.
A movimentação é rápida e o jogador pode alternar entre diferentes estilos de luta conforme os equipamentos encontrados durante cada incursão. O sistema também permite utilizar efeitos de status, habilidades de armas e bônus capazes de transformar completamente uma construção.
Essa variedade cria bons momentos de experimentação. Uma configuração pode priorizar dano físico, enquanto outra pode explorar efeitos de sangramento, fogo ou outras condições negativas. A presença de diferentes armas e relíquias incentiva o jogador a testar combinações e procurar sinergias mais eficientes.

O problema aparece na precisão dos controles. A câmera pode se comportar de maneira instável em áreas fechadas ou durante confrontos contra inimigos grandes. O sistema de mira também pode atrapalhar, especialmente quando vários adversários cercam o personagem.
Nossa análise destaca que o combate é divertido e acessível, mas perde impacto por causa da câmera, da resposta dos controles e da sensação de alguns golpes. Em determinadas situações, o jogo parece não registrar corretamente a posição do personagem ou a direção desejada para o ataque.
Progressão roguelite e construção de personagem
A progressão de Crimson Moon é baseada em partidas ou incursões. Durante cada jornada, o jogador coleta armas, armaduras, amuletos, bônus e outros equipamentos que ajudam a definir o estilo de jogo daquela tentativa.
Ao concluir uma caçada, alguns equipamentos podem ser purificados e adicionados permanentemente à coleção. Antes de iniciar uma nova missão, também é possível escolher um anjo para acompanhar o personagem, adicionando outra camada estratégica à construção.
Essa estrutura funciona bem para quem gosta de repetir missões em busca de melhores combinações. O jogo estimula a experimentação e permite que o jogador mude de estratégia conforme os itens encontrados.

A progressão, porém, nem sempre é bem explicada. Parte das informações sobre habilidades, efeitos de status e funcionamento dos equipamentos poderia ser apresentada de maneira mais clara. Jogadores que esperam uma campanha tradicional, com evolução linear e recompensas permanentes bem definidas, podem estranhar a lógica de Crimson Moon.
O sistema também perde força quando algumas construções parecem muito mais eficientes do que outras. A sensação de descoberta é positiva, mas o balanceamento ainda precisa de ajustes para evitar que determinadas combinações dominem a experiência.
Cooperação para dois jogadores é o grande diferencial
Crimson Moon pode ser jogado sozinho ou em cooperação online para duas pessoas. A proposta cooperativa é um dos aspectos mais interessantes do projeto, principalmente porque os jogadores podem combinar armas, habilidades e estilos diferentes.
Com dois jogadores, os confrontos se tornam mais dinâmicos. Um personagem pode atrair a atenção dos inimigos enquanto o outro utiliza ataques à distância ou efeitos de status. A cooperação também torna os combates contra chefes mais divertidos, já que cada participante precisa observar o posicionamento do parceiro e reagir aos perigos da arena.
A dificuldade e a composição dos inimigos podem ser ajustadas para o modo cooperativo, mantendo o desafio mesmo quando há mais de um jogador em campo.
Entretanto, o modo coop também foi afetado por problemas técnicos no lançamento. Existiam falhas na atribuição de progresso, instabilidade, perda de avanço e dificuldades durante determinadas missões. A própria equipe reconheceu problemas relacionados ao modo cooperativo e indicou que eles estavam entre as prioridades dos primeiros consertos.
Um novo Roadmap foi definido recentemente e já saíram alguns updates para arrumar diversos problemas que visualizamos durante a nossa visita ao jogo. Então, pode ser que uma nova visita ao jogo agora possa valer a pena.
A recepção na Steam acabou ficando classificada como “Mista”, com aproximadamente 60% das avaliações positivas na consulta mais recente disponível. Os comentários favoráveis costumam elogiar o combate, o estilo visual, a trilha sonora, o preço acessível e a diversão proporcionada pelo modo cooperativo. Já as avaliações negativas se concentram na câmera, nos controles, na duração da campanha e nos problemas técnicos.
A equipe já começou a trabalhar nos problemas
A ProbablyMonsters lançou o Hotfix 1.0.1 para todas as plataformas, com correções relacionadas à câmera, ao sistema de mira, travamentos, salvamentos, progresso, cooperação, controles no PC e escala da interface.
A equipe também indicou que o Hotfix 1.0.2 está previsto para o fim de setembro de 2026, enquanto uma atualização maior, identificada como Update 1.1, está planejada para outubro. O estúdio ainda mencionou uma atualização gratuita de conteúdo e possíveis conteúdos adicionais para o futuro.

Isso demonstra que o jogo está recebendo suporte ativo, mas também confirma que Crimson Moon chegou ao mercado precisando de uma quantidade significativa de correções. O cenário atual é melhor do que o observado no lançamento, porém ainda não é possível afirmar que todos os problemas foram resolvidos.
Vale a pena jogar Crimson Moon?
Crimson Moon é indicado para jogadores que gostam de:
- RPGs de ação com combate em tempo real;
- Estruturas roguelite;
- Jogos com coleta de equipamentos;
- Criação de builds;
- Fantasia sombria;
- Experiências cooperativas para dois jogadores;
- Campanhas mais curtas e focadas em repetição.
Por outro lado, o jogo pode decepcionar quem procura uma campanha longa, uma narrativa profunda ou um combate extremamente refinado. Os problemas de câmera e controle também podem incomodar jogadores acostumados com experiências Soulslike mais polidas.
O preço de lançamento está regionalizado para R$ 72,95 ajuda a tornar a proposta mais atraente, especialmente para quem pretende jogar em cooperação com um amigo.
Ainda assim, a recomendação depende da plataforma e da prioridade do jogador. No console, a experiência tende a ser mais confortável com controle. No PC, a falta de opções de personalização e os problemas iniciais de controle podem pesar mais.
Veredito
Crimson Moon apresenta uma combinação interessante de combate de ação, progressão roguelite, equipamentos variados e cooperação para dois jogadores. O estilo visual gótico e a atmosfera de Gildenarch também ajudam o jogo a se destacar em um mercado repleto de RPGs sombrios.
O maior obstáculo está no acabamento. A câmera instável, os problemas de progresso, as falhas no modo cooperativo e a falta de opções de controle fazem com que a experiência pareça inacabada em alguns momentos.
A base é boa, o preço é competitivo e o suporte pós-lançamento indica que o estúdio está ouvindo a comunidade. No entanto, Crimson Moon ainda precisa de mais atualizações para transformar seu potencial em uma experiência realmente consistente.
Nota: 7/10
Crimson Moon é uma boa opção para quem busca um RPG de ação cooperativo, mas a compra se torna mais recomendável após a aplicação de novas correções. O jogo tem diversão suficiente para justificar uma oportunidade, principalmente em partidas com amigos, mas deve considerar conferir as atualizações para uma nova visão do jogo e se está a altura para competir com os grandes nomes do gênero.